Mostrando postagens com marcador tecnologia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador tecnologia. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, março 08, 2007

O Software é Livre! Não é de graça!


Logo na primeira página do site do GNU, podemos ver a frase: "Free as in Freedom", que quer dizer algo como: "Livre, como em Liberdade" ou "Livre, E pela Liberdade". Na mesma página, logo abaixo, um texto deixa claro que "Livre" não tem nada a ver com "preço". Para aqueles que não sabem, à grosso modo, GNU é o próprio Linux. E que também pode ser chamado de "GNU Linux".

Em algum momento do passado, algum desafortunado introduziu "free" como "grátis". Mesmo hoje, um número bastante expressivo das pessoas que já ouviram falar em Software Livre fazem esta mesma consideração.

O objetivo deste artigo é dizer que isto está errado! Software Livre tem custo, sim. E pode ser bastante alto. Especialmente quando se pretende realizar uma migração ao mesmo tempo em que se interpreta o "free" erroneamente. A expectativa, quase sempre, é a de redução de custos. Está certo quando pensamos nos custos das licenças. Mas e o treinamento? Ou o tempo que as pessoas precisam para absorver as novas idéias e, em alguns casos, redefinirem sua maneira de trabalhar? Isto é dinheiro, também. Já vi casos em que funcionários desligaram seus Windows na sexta-feira, e quando voltaram na segunda e ligaram suas máquinas, deram de cara com o Linux. E ninguém deu explicação alguma. Isto tem alguma chance de ser considerado algo inteligente? Claro, o gerente deve ter um belo terno, um carrão, e se achar o máximo. Mas tudo bem, vamos lá...

Engana-se aquele que achou que sou um defensor do Windows. Na verdade, recomendo o Linux, quase sempre. Eu apenas acho que quando uma pessoa opta por um produto, precisa saber exatamente o que está comprando e, principalmente, quais são as conseqüências e quais medidas precisam ser tomadas para que tudo corra bem. Senão, vão sair por aí dizendo que Software Livre não presta, da mesma maneira equivocada que interpretaram o "free" no momento da sua escolha.

Uma das vantagens mais significativas do Software Livre não é o custo da licença, e sim a transparência. Em um sistema Linux, por exemplo, o usuário pode instalar todos os softwares, incluíndo o próprio kernel, à partir de seu código fonte. Inserir código malicioso em aplicações de código aberto é um caso raro, e quando acontece, geralmente é detectado num piscar de olhos, mediante à quantidade fenomenal de pessoas envolvidas em seu desenvolvimento. Outra grande vantagem é a incessante atividade. Geralmente os Softwares Livres são mantidos por grandes comunidades de desenvolvedores, permitindo que bugs sejam solucionados em questão de minutos, caso seja necessário. E estas comunidades geralmente ouvem você. É sério. Eles querem saber o que você pensa sobre seus produtos e o que precisa ser melhorado.

Estas (verdadeiras) vantagens são o que devem chamar a atenção daqueles que estão considerando a utilização de Software Livre, e não a economia que supostamente pode ser feita ao deixar de pagar custos de licença.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Para onde vai a qualidade do software?

Sou desenvolvedor de software, atuando profissionalmente na área de TI desde 1994, portanto, há 13 anos. Apesar de me considerar um eterno aprendiz, tenho total segurança para afirmar que, caso eu fosse montar um gráfico que representasse a qualidade do software para os próximos anos, ele seria parecido com uma imensa ladeira! Não estou dizendo, absolutamente, que não existam softwares bons. Mas afirmo que são tão raros quanto filhote de pombo - Sabemos que eles existem, mas quantos de nós já os viram?

Ano após ano, vi com meus próprios olhos a decadência do desenvolvedor de software. Sim, estou falando da pessoa. Boa parte desta decadência pode ter sido motivada pela brutal concorrência existente no mercado. A lógica é simples - Preço baixo e prazos curtos são necessários para se ter algum cliente.

O grande problema é que desenvolvimento de software não é a mesma coisa que apertar parafusos. É um trabalho essencialmente intelectual, onde cada pequena parte do trabalho, por menor e mais repetitiva que seja, demanda atenção absoluta e uma dose fenomenal de criatividade. Simplesmente não se pode acelerar o ritmo de produção dentro deste contexto e ainda assim manter um nível aceitável de qualidade.

Então, se nada acontecer (e acreditem, não vai) vamos entrar numa era de total desconfiança sobre tudo o que estiver relacionado à software ou, o que é mais provável, vamos passar a achar que tudo isso é normal.

Quero aproveitar e assumir minha parcela de culpa. Sim! Nós, os profissionais de desenvolvimento de software, somos os culpados por esta situação, pois não dissemos um sonoro "não", nas vezes em que foi necessário. Não dissemos que programação "não" é igual a fazer uma "cartinha" num editor de textos; não dissemos que "não" iamos trabalhar aos finais de semana porque tinhamos uma vida; não dissemos que dobrar o tamanho da equipe de desenvolvimento "não" cortaria o tempo pela metade; e a que eu mais gosto, não dissemos que "não" iamos trabalhar por um salário miserável.

O que podemos fazer agora? Essa é a resposta mais simples - Colher o que plantamos!